10. CULTURA 5.12.12

1. BAD PITT
2. O CARA SOU EU
3. EM CARTAZ  TEATRO - DONA DE TODOS OS APLAUSOS
4. EM CARTAZ  LIVROS - NOVA "LARANJA MECNICA"
5. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - BRASIL NAS FOTOS
6. EM CARTAZ  CINEMA - O QUE  ISSO, MONTONERO?
7. EM CARTAZ  MSICA - UM AMERICANO NO RIO
8. EM CARTAZ  AGENDA - LAST RESORT/FILMES e VDEOS DE ARTISTAS/CARTA DE AMOR
9. ARTES VISUAIS - O AVESSO DA HISTRIA
10. ARTES VISUAIS - ACERVO ICONOGRFICO GANHA LEITURA CONTEMPORNEA

1. BAD PITT
O astro americano Brad Pitt, que interpreta um matador frio, ruim e pragmtico em "O Homem da Mfia", busca novos caminhos para a sua consagrada carreira 
Ivan Claudio

POLMICO - Pitt como o matador Cogan: em defesa do porte de armas e do casamento gay
 
Um bom ator sabe o momento de mudar para melhor o tipo de papel que representa no cinema  e, principalmente, se ele est em condies de dar esse salto de qualidade. Prestes a completar 49 anos, no prximo dia 18, Brad Pitt se encontra nesse ponto da carreira: no pode ser considerado apenas um gal bem pago ou o polo masculino de um dos casais mais clebres de Hollywood  sua mulher  a estonteante Angelina Jolie. Ele j provou suficientemente que domina o seu ofcio como poucos. Dessa forma, o mnimo que se pode dizer de sua atuao como protagonista do filme policial O Homem da Mfia, em cartaz no Brasil,  que sua escolha no poderia ter sido mais feliz. No papel de Jack Cogan, um matador profissional que atua para o crime organizado numa lgubre Nova Orleans ps-Katrina, Pitt compe um personagem glido e pragmtico, aquele tipo de assassino que no quer manchar a roupa bem cortada com sangue e cujas falas saem entre os dentes como as balas de uma pistola com silenciador. Eis uma pequena amostra de seu carter, ao cobrar, dlar por dlar, o pagamento combinado por um servicinho sujo: Os EUA no so um pas, so puro business. Ento me pague, desgraado.
 
Com esse papel, Pitt assume um surpreendente lado duro, reforado pelas rugas de quem ainda no pretende se submeter a cirurgias plsticas. D sinais de uma guinada para aquilo que os americanos chamam de tough guy, uma tradio de atuao que remonta a Humphrey Bogart nos filmes noir. No sou mais aquele cara legal, diz ele, que est finalizando mais dois filmes  World War Z, sobre uma epidemia de zumbis, e The Counselor, de Ridley Scott, em que interpreta um traficante de drogas. Pitt gostou tanto do roteiro de O Homem da Mfia, dirigido por Andrew Dominik, que decidiu ele mesmo coproduzi-lo por meio de sua empresa, a Plan B. Quando Andy veio at mim com o projeto, vivamos o pice da crise financeira, das fraudes hipotecrias. Tempos terrveis, e o filme trata justamente desse momento, disse o ator no lanamento na Inglaterra.
 
A crise, contudo,  apenas sugerida  o que se v so os seus efeitos no mundo do crime. Enquanto homens so eliminados como insetos, ouvem-se discursos e entrevistas de Barack Obama e George W. Bush na disputa presidencial de 2008, exibidos nas televises das espeluncas em que acontece a histria. Passado em apartamentos imundos e em ruas desertas, o filme se inicia com um roubo a uma casa de jogatina clandestina e mostra, na sequncia, a lenta perseguio dos ladres, comandada por Cogan, um executor com instinto de co farejador. Sua mxima, que d nome ao filme em ingls,  matar os bandidos com suavidade (Killing them Softly). O elenco inteiramente masculino conta com Ray Liotta (dono do cassino e primeiro suspeito do golpe) e James Gandolfini (outro matador, contratado por Cogan para ajud-lo nas execues). A violncia , assim, robusta. Tome-se, por exemplo, a sequncia em que Cogan faz um ladro amador chorar no balco de um bar. No precisa empunhar armas, usa apenas as palavras certas. Quando as mortes acontecem, contudo, so brutais.
 
Criticado nesse sentido, ao ser exibido em festivais aps o massacre do Colorado, O Homem da Mfia foi defendido por Pitt: ele alegou que o porte de armas faz parte da cultura de seu pas. Trata-se de uma opinio que vai de encontro aos seus ideais: alm de apoiar Barack Obama  Presidncia, afirmou muitas vezes que s se casar formalmente com Angelina Jolie quando o matrimnio gay for inteiramente legalizado nos EUA. Disse, ainda, a propsito do banho de sangue visto no filme: Eu me sentiria mais incmodo interpretando um racista do que, digamos, dando um tiro no rosto de uma pessoa em um filme policial. Uma declarao polmica, mas afinada com sua atual fase bad boy.


2. O CARA SOU EU
Roberto Carlos bate recorde ao vender um milho de discos em trs semanas e recupera um formato em desuso no mercado fonogrfico: o compacto duplo
Mariana Brugger

Sucesso garantido em portugus, o Rei j se aventurou por vrios outros idiomas. Confira vdeos em que ele canta em italiano, ingls e espanhol:

ROMNTICO - O Rei canta sobre o homem que as mulheres gostariam de ter
 
No foi  toa que Roberto Carlos conquistou o ttulo de rei. H trs dcadas ningum consegue lhe tirar a marca de maior vendedor vivo de discos no Pas. Nas ltimas semanas, Roberto Carlos conseguiu outro ttulo em sua trajetria. Aos 71 anos, ele pode ser chamado de O Cara. Isso porque, em uma poca em que a internet decretou a morte do CD, o Rei ultrapassou a barreira do milho de discos vendidos. Dois fatores foram decisivos para o novo feito de Roberto Carlos. O primeiro  que sua nova msica, Esse Cara Sou Eu,  o tema do casal protagonista de Salve Jorge, novela do horrio nobre da Rede Globo. O segundo, e certamente o mais importante, foi a a redescoberta da frmula do compacto duplo.
 
O formato de quatro faixas nunca foi abandonado no mercado internacional e permite que os fs tenham acesso a poucas msicas a um preo mais conveniente que o disco normal.
 
Para aliar a popularidade da msica  estratgia do compacto duplo, a participao de Glria Perez, autora da novela, foi imprescindvel. Mostrei a msica para minha amiga Glria e ela disse que era perfeita para o casal principal. Ainda no a tinha concludo e, quando ela me contou a histria, ficou ainda mais fcil fazer o ltimo verso, disse o cantor. A propsito, o verso final da msica fala do gesto de abrir-se a porta do carro para a amada, hoje em desuso:  uma cano que fiz para falar do cara que toda mulher gostaria de ter, do cara que todo homem gostaria de ser, do cara que eu tento ser.

BOA COMPANHIA - Roberto e o grupo Empreguetes, em seu especial de Natal: programa sem gosto de peru, em razo do sucesso do novo CD

Segundo o professor Mayrton Bahia, coordenador do curso de produo fonogrfica da Universidade Estcio de S, o lanamento de material indito nesse formato demorou a ser resgatado no Brasil:  um investimento tardio da indstria fonogrfica. No Exterior, ele  usado como produto de divulgao do novo trabalho do artista. Aqui, o valor recomendado do disquinho  de R$ 9,90, um preo competitivo com o de downloads digitais, que sai por R$ 8,57 na loja virtual iTunes. Com o nimo redobrado pelo recorde de vendas recente, o Rei apresentar o seu especial de Natal sem o tradicional gosto de peru. Ele convidou outros nomes populares, como o cantor sertanejo Michel Tel, os sambistas Arlindo Cruz e Seu Jorge, e o grupo feminino Empreguetes, que brilhou na novela Cheias de Charme, tambm da Rede Globo. Joo Tikhomiroff, diretor do programa, comenta o bom momento do Rei: Roberto canta o que gosta e, ao mesmo tempo, isso  o que as pessoas gostam de ouvir.


3. EM CARTAZ  TEATRO - DONA DE TODOS OS APLAUSOS
Andra Beltro, uma das mais premiadas artistas no Brasil, sobe ao palco para interpretar a pior artista do mundo. S pode ser comdia  e . No musical Jacinta, em cartaz no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, a personagem-ttulo vive em Portugal no sculo XVI. Mas ela  to ruim como atriz que acaba matando de desgosto a rainha de seu pas durante uma apresentao. Como castigo, Jacinta  desterrada e vem para o Brasil, onde tenta provar que  boa intrprete, apesar da m fama. Jacinta tem as caractersticas que mais admiro. Ao mesmo tempo que  pattica,  vibrante e audaciosa, diz Andra, revelando que o maior sonho da personagem  ser aplaudida. A direo musical  do tit Branco Mello.
 
+5 PEAS DE ANDRA BELTRO
AS CENTENRIAS(FOTO) 
No papel de uma carpideira nordestina, Andra ganhou o Prmio Shell de Melhor Atriz em 2008
 
O AUTO DA COMPADECIDA
 Foi a sua estreia no teatro, em 1976. Ela interpretou um personagem masculino: Joo Grilo
 
A ESTRELA DO LAR
 Sob a direo de Mauro Rasi, a atriz dividiu pela primeira vez o palco com a scia e amiga Marieta Severo
 
A DONA DA HISTRIA
 Nessa pea de sucesso de Joo Falco, que estreou em 1998, Andra se destacou interpretando uma mulher em crise
 
A PROVA
 Mais uma vez premiada, agora no papel de uma jovem que temia ter herdado a loucura do pai


4. EM CARTAZ  LIVROS - NOVA "LARANJA MECNICA"
Ainda atual no retrato da violncia urbana, Laranja Mecnica (Aleph), do escritor ingls Anthony Burgess, ganha edio especial nos 50 anos de seu lanamento. Ilustrada pelos quadrinistas Dave McKean, Angeli e Oscar Grillo, a fico cientfica volta com uma entrevista, um ensaio e dois artigos do autor explicando a inspirao para a histria e a adaptao cinematogrfica de Stanley Kubrick.


5. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - BRASIL NAS FOTOS 
Com a ambio de pensar 170 anos da histria do Pas, a exposio Um Olhar Sobre o Brasil (Instituto Tomie Ohtake, So Paulo, at 27/1/2013) rene mais de 400 imagens. O vasto panorama se inicia em 1833, quando Hercule Florence descobriu a fotografia em Campinas, simultaneamente  sua inveno na Europa. A partir da, a mostra contempla o trabalho das expedies estrangeiras, o gosto de dom Pedro II pela nova tcnica e a documentao das primeiras revoltas populares at chegar s transformaes polticas e sociais do sculo XX.


6. EM CARTAZ  CINEMA - O QUE  ISSO, MONTONERO? 
Candidato argentino ao Oscar de melhor filme em lngua estrangeira, o drama poltico Infncia Clandestina poder ser visto no Brasil a partir da sexta-feira 7. O enredo gira em torno de uma famlia afetada pela ditadura militar no pas, entre os anos de 1976 e 1983. Os acontecimentos trgicos so filtrados pelo olhar de Juan (Teo Gutirrez Romero), um menino de 12 anos, alter ego do diretor Benjamn vila. De volta do exlio, ele assiste aos pais integrarem o grupo terrorista mais atuante naquele momento, os Montoneros.


7. EM CARTAZ  MSICA - UM AMERICANO NO RIO
Colaborador habitual da cantora Norah Jones, o guitarrista e tambm cantor Jesse Harris teve a sua carreira eclipsada pelo sucesso da companheira  ele  autor do seu maior hit, a cano Dont Know Why. Com o seu 11 trabalho, chamado Sub Rosa, esse vnculo perde fora. Gravado quase inteiramente no Brasil, no estdio do msico Kassin, o disco se afasta um pouco do country blues de Norah e absorve influncias da bossa nova e de ritmos latinos. Conta at com a participao de artistas brasileiros, como a cantora Maria Gad em I Know It Wont Be Long e os msicos Dadi, Maycon Ananias e Guilherme Monteiro. Para no perder o costume, Norah aparece em trs canes, em participaes especiais.


8. EM CARTAZ  AGENDA - LAST RESORT/FILMES e VDEOS DE ARTISTAS/CARTA DE AMOR
Conhea os destaques da semana

LAST RESORT
 (AXN, tera-feira, 21h)
 A srie trata de um grupo de marinheiros dos EUA tido como rebelde aps fracassar numa misso no Afeganisto
 
FILMES e VDEOS 
 (Palcio das Artes, Belo Horizonte, at 6/1/2013)
 Pertecentes  Coleo Ita Cultural, as obras exibidas, todas de carter experimental, datam das ltimas cinco dcadas
 
CARTA DE AMOR
 (Salvador, dias 10/12 e 2/12; Belo Horizonte, 7/12 e 8/12)
 Show de Maria Bethnia centrado no repertrio do CD Osis de Bethnia. Direo musical de Wagner Tiso


9. ARTES VISUAIS - O AVESSO DA HISTRIA
Artur Lescher realiza esqueleto de cpula nunca construda no edifcio da Pinacoteca de So Paulo
Nina Gazire 

ARTUR LESCHER  INABSNCIA/ Pinacoteca do Estado de So Paulo, SP/ at 27/1/2013

OBRA INACABADA - Instalao de Lescher lembra projeto de Ramos de Azevedo
 
No salo central da Pinacoteca do Estado, uma estrutura vazada em forma de cpula foi instalada de cabea para baixo, apontando seu cume para o cho e intrigando os visitantes. Concebida pelo artista Artur Lescher para o Projeto Octgono Arte Contempornea, a instalao Inabsncia  um convite a uma viagem no tempo. A obra nos leva at o ano de 1905, quando o Liceu de Artes e Ofcios de So Paulo ganhou um novo prdio, hoje ocupado pela Pinacoteca. Projetado pelo renomado arquiteto Ramos de Azevedo, que durante alguns anos tambm comandaria o Liceu, o edifcio deveria corresponder aos ideais de modernidade da recm-criada Repblica brasileira e espelhar a riqueza e o progresso de uma cidade impulsionada pela expanso cafeeira. Realizado em parceria com o arquiteto italiano Domiziano Rossi, o projeto foi concebido em estilo neorrenascentista e, alm do prtico que ainda possui, traria uma enorme cpula a ser avistada de diferentes pontos da cidade enfatizando a monumentalidade arquitetnica que marcava o estilo da poca.
 
Foi sobre essa histria que Lescher se debruou para descobrir que a cpula do primeiro projeto jamais fora construda. O prdio permaneceu inacabado, at ser restaurado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e adaptado para ser um museu, em 1998. Como sinal dos velhos tempos, o que resta  o vazio preenchido por uma imensa claraboia, onde o artista instalou essa espcie de homenagem  ausncia. A escultura de Lescher reconstri parcialmente o elemento arquitetnico, com suas medidas originais de 12 por 14 metros, indicadas no projeto de 1895. Para coroar o carter paradoxal da ausncia desse elemento, o esqueleto feito de madeira e ao ganhou como nome uma palavra resgatada por Lescher: inabsncia.


10. ARTES VISUAIS - ACERVO ICONOGRFICO GANHA LEITURA CONTEMPORNEA
Tombo: Rochelle Costi/ Casa da Imagem, SP/ at 9/12 - ltima semana 
por Paula Alzugaray

 NOVOS MUNDOS - "Tri X", escultura para ser vista atravs de olho mgico
 
Um tesouro iconogrfico, guardado em uma linda casa construda em 1855, no centro mais antigo de So Paulo, comea a vir  tona. Restaurada e inaugurada h um ano para abrigar a memria documental da cidade, a Casa da Imagem guarda uma coleo de 710 mil fotografias que ilustram o desenvolvimento urbanstico da cidade ao longo dos ltimos 150 anos. Para se ter uma ideia do valor histrico dessa coleo, iniciada em 1934 pelo ento secretrio Municipal da Cultura, Mrio de Andrade, ela contm os rarssimos exemplares das primeiras cenas da paisagem urbana paulista realizadas pelo carioca Milito Augusto de Azevedo entre 1862 e 1887.
 
Esse acervo agora est acessvel em exposies temporrias e atualizado em leituras realizadas por artistas contemporneos. A mostra Tombo, de Rochelle Costi, que entra agora em sua ltima semana de exibio, foi o primeiro fruto desse projeto de dilogos temporais, concebido pelo diretor da Casa da Imagem, Henrique Siqueira.
 
O trabalho de Rochelle Costi lana um foco de luz sobre as imagens das transformaes urbanas sofridas por So Paulo desde a virada do sculo XIX e sobre o zelo de conservao e estocagem que alguns fotgrafos tiveram sobre a imagem dessa cidade em constante desaparecimento.

CIDADE - Fotografia de Becherini apropriada por Rochelle Costi
 
A artista salienta esses dois aspectos ao pinar dos arquivos dois negativos em vidro de fotografias de Aurlio Becherini, de 1912, e oito fichas catalogrficas realizadas pelo fotgrafo Benedito Junqueira Duarte  responsvel pelas primeiras aes de preservao da coleo pblica. Meu projeto busca dar visibilidade s fotografias guardadas em reserva tcnica. Por isso decidi refotografar as fotografias, mostrando o seu contexto, que  o arquivo, explica Rochelle.
 
Alm das fotos de fotografias, a interveno de Rochelle Costi sobre o acervo inclui cinco esculturas produzidas com gaveteiros de arquivos, que devem ser vistas atravs de olhos mgicos. Dentro das gavetas, uma coleo de objetos obsoletos  usada para a construo de novos mundos: filmes, papis fotogrficos, cmeras analgicas, espirais usadas na revelao de filmes, e at um carrossel de projetor de slides so usados como peas de novas invenes, colocadas em movimento giratrio, para encanto dos observadores. 
 
Com esses objetos animados, mais que observar a histria, Rochelle reafirma o papel do artista contemporneo de reprogramar a fotografia antiga e suas tcnicas.

